Vazamentos

De repente, me sinto uma ilha. Surgiram vazamentos em todos os cantos: a máquina de lavar pratos, a geladeira e a privada estão em rebelião. AFE! Será efeito colateral do roubo? Haja paciência para aturar encanador que não aparece, técnico que não vem…

Reflexões sobre a perda

Restou o anel que nunca significou nada… o vazio tomou lugar dos armários e gavetas revirados. Num piscar de olhos, tudo ao chão e, antes do toque da meia-noite, tudo parecia em ordem. Na arrumação, alguns excessos saem. E lá estava o vazio, a falta, a perda.
Eram objetos queridos, cheios de história. Agora não mais “meus”. Falta a minha joaninha, falta o anel de árvore sefirótica, o de mandala, o de granada… os brincos vermelhos, as argolinhas de ouro que ganhei do vovô.
O ocaso de uma mulher? O nascimento de uma mulher? Restam orelhas, pescoço e dedos. Intactos, graças a deus. Restam os olhos, despidos das câmeras. O que fica carrega a história, dedilho possibilidades.
A reação? Adulta absoluta: prática, eficiente, comunicativa, informação sob medida, para quem importa. Nada é o ideal. Falta a ferramenta, falta… perdi um pedaço. Muitos pedaços.
Hora de deixar para trás o que ficou vencido, o que já foi. É preciso atualizar, fazer crescer e brotar novas partes, outras conexões. Com sorte, quando você diz “sim, eu perdi. Eu quero”, surge um novo compromisso e novos caminhos se abrem.
SIM, EU PERDI. Resta mandar para o universo o anel que não significa nada.

Quem vem lá?

Lá vem o futuro, prenhe de histórias, gestado no ontem, parido no hoje
Lá vem o incerto, o que está por se construir.
Lá vem a vida, leve, solta, cheia de mazelas e alegrias.
(a foto é do Renato Targa)

da exaustão

ando exausta, mas não páro, não descanso. compromissos, amigos, compromissos. o mundo chama e não há como “ostrar” (ficar quietinha no meu cantinho).
Neste processo que envolve tanto olhar como fazer, estar presente, participar, surgem bolhas de linguagem, pequenos brotos de novidade que vão se colocando no mundo através de mim.
A experiência de hoje foi algo único. Na tentativa de me conter – a boca repetia, baixinho, conceitos durante a aula, surgiram gases. Ai, que vergonha. Veio a imagem, antiga, de uma aula do Corporificando, quando eu aprendi que algumas das minhas expressões eram puro “desperdício” de excitação que poderia me fazer crescer. De novo, molhei os olhos. A tristeza, velha companheira, deu um alívio.
Voltou a dor nos ombros – sinal de muito peso e pouca base, de uma barriga que não está tão contida assim…
Pequenos elementos brotam do fim de semana intenso. Preparação para a semana, cheia de trabalho, pontilhada por esforços que vão além de mim. O melhor é que tudo resulta em satisfação.