Amanhece, perdão!

A ordem vem de cima, do cosmos: perdoa, nega!
Tarefa difícil esta: deixar a memória sumir, esfumaçar o que foi querido, importante.
Dissolve-se a névoa, acontece um segundo amanhecer. O primeiro foi azul. Este agora vem tingir de dourado o dia, enquanto as palavras enfileiram um adeus.
Adeus misturado com outros gostos, outros beijos, outras carnes.
Um tchau em voz baixa, suave, que me faz tremer dentro do dia quente.
Por instantes seguirei só. Um solo de guitarra, de contrabaixo, de clarinete. Orquestra de mulher só que teima tentar ser feliz.
Perdoei? Veremos.
Ciao, goodbye, adieu, arrivederci.

Lua Cheia, uivos…


The full moon 12th June 2006
Originally uploaded by aaardvaark

Ele é jovem, não deve ter trinta. É belo, firme, um abraço que abre portas para a alegria. As carnes se agitam enquanto a atenção se concentra no trabalho.
Nos intervalos, as descobertas…
Bom de papo, sedutor. (Já vi este filme). É comprido, do jeito que ela gosta. Firme e forte, da forma que espera. Tem jeito de gato solto no salão. Precisa de ponto de energia pra funcionar. Faz malabarismo, gosta de carro e tem aquele jeito extrovertido de quem sabe o que quer da vida. Intenções claras, claríssimas.
Ela desce a ladeira no ar frio, embalada por uma música que a deixa feliz. De novo feliz! Abraços e sorrisos de um homem comprido e belo.
Um abre seu caminho no mundo.
Outra recebe o mundo em si, de novo grávida em meio ao sangue.

amei

quatro letrinhas sórdidas enfileiradas como um feitiço
tramadas por imagens belas e frases vazias
(escrevo com os olhos bem fechados)
entre o álcool e o ser e o abismo
entre o ser e o abismo, um éter
jogo, jugo,
tudo vaga
nuvens algodoadas num céu de quase-primavera
e a noite quente, quente,
embala o desejo desvairado, desavisado, livre, impávido e colossal
flores, cores, flores
tum-tum-tum-tum
(tô bêbada…)

Questions

Arranquei meu coração do peito e agora sofro?
Por que preciso ser tão dura comigo mesma?
Where do I wanna go?
Straight, straight, straight
We march to death’s arms.

Escapes – dreamscapes


Muita intensidade cá dentro. Nada lá fora para dar limite.
Pelos poros sai a vontade do encontro – que não vem.
Pela frente, o imenso azul. A bordo, um mar de histórias, feito de muitos fios que se entrelaçam. E a sensação de “quase” colocar o carro à frente dos bois.
Sou um grão de mostarda. Uma gota misturada à multidão de gotas
Sou a busca – o nariz que fareja, a mão estendida, o olho que vaga
Até que encontre o cheiro, uma outra mão, um olhar…
Mulher feita de nós, em busca de novos nós.
E lá está a praça coberta de corações à espera dos apaixonados