Os trogloditas têm grana!!!

Fim de semana de sol de inverno. Fui à praia. Paúba continua linda, o povo continua o mesmo. Depois de um fim de semana ótimo, em que descarreguei, entrei no mar gelado, tomei solzinho fraco com vento frio – e foi muito BOM – dei de cara com o trânsito na Rio-Santos.
Até aí, tudo bem. É julho, férias, muita gente. Enchi a mente com a imagem da coruja pousada no telhado contra a baía fervendo de pôr-do-sol e tirei o pé do acelerador. Paciência, né? A gente tem que dividir espaço mesmo, faz parte do destino de ser humano.
Ah! mas isso só vale pros otários. Quem tem EcoSport, Focus, Astra, Audi, Peugeot e todos os carrões que custam uma bala não precisa! Cortam pelo acostamento, fazem ultrapassagem na fila dupla, limite de velocidade só pros outros. O fim da picada!!!
Ainda não entendo essa lógica selvagem que consome os paulistanos. Nasci e vivi em Sampa a vida toda. Vejo o jeito como as pessoas se comportam e só sinto nojo, asco, raiva. Pra quê lei, então? Pra quê se dar ao trabalho de ir votar? Pra quê?
Depois andam na rua todos bonitões, de carrões, roupa de grife… e são os verdadeiros trogloditas. Claro que todos estavam nas suas cadeiras lendo a história da Veja sobre o PCC. E se comportam igualzinho: qual a diferença do bandido puxando arma e do motorista ultrapassando em local probido?
Nenhuma! Os dois matam.
Para a semana, fica a imagem da coruja.
Na vida cotidiana infectada por bandidos disfarçados em carrões e roupinhas bacanas.

Ondas da sobrevivência

UFA! UFA!
A dura arte da sobrevivência cobra seu preço. Dez, doze, quatorze horas de trabalho por dia. E sobram faturas pra pagar. E as dívidas estão lá, dando tchauzinho, pedindo a minha atenção. Enquanto isso, mil telefonemas, correria, é preciso estar bonitona e bem-humorada.
Bem melhor que ter um salário garantido e a vida crestada pelo mal-estar, pelo chefe besta. Essa vida tem seu encanto. A felicidade arrisca, dá o ar da graça e ando por aí satisfeita e com uma interrogação enorme pulando no peito: será que vou conseguir pagar as contas?
No final, sempre consigo. Mas haja coragem pra sustentar a dúvida, organizar a vida e seguir em frente.
Estas duas últimas semanas foram marcadas por altos e baixos, ondas de sucesso e fracasso. Houve um momento em que achei que havia tomado um caldo irrecuperável. E a vida mostrou, mais uma vez, que enquanto a gente não morre sempre existe a possibilidade de recuperação.