Lá vem encontro

Ontem: Dia de chuva, trabalho intenso no grupo de Corporificando. Crio coragem e me entrego na onda que formo com a Regina e os colegas. Pós-almoço, Margaret, sempre querida, faisca com seus olhos azuis, através do celular. Vem um convite – que é para poucos – um encontro sobre o contemporâneo, com duas psicólogas argentinas. É pra já! Opa, pra sexta feira, dia 29.
Hoje: No convite formal, vem texto. O texto lindo e doce, que mexe com as minhas entranhas, me faz sonhar. Aprendi nos meus encontros que é da partilha que surgem os afetos, a potência, a vida se faz mágica. É preciso dar, dizer, se investir…Choro ao escrever isso.
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Um trecho do convite da Marga, por ela mesma:
Às vezes parece que a vida nos presenteia com alguns encontros. São aqueles que continuam produzindo ressonâncias, arrastam-nos para outros lugares, mesmo depois de separados do outro. Deixam de ser encontros entre “eu e o outro”, para tornarem-se outra coisa, que já não é mais nem de um, nem do outro. Encontros onde partes de nós, ou todo o nosso corpo, entram em expansão, potencializando aquilo que é mais importante, os processos de singularização – uma espécie de benção que se pode dar a si mesmo; diferentemente de quando temos o foco nos “encontros narcísicos” que reforçam apenas uma satisfação consigo mesmo. Spinoza chama de bons encontros esse fazer do encontro uma experiência ativa.

É pensando nisso, em como algumas pessoas entram na nossa existência produzindo afecções ativas, que posso desenhar este convite. Trata-se de Uma conversa com Martha Herzberg e Valéria Herzberg, em torno da temática do contemporâneo. Antes de um convite é um desejo de criar um espaço-tempo possível de tecer relações. Um desejo de compartilhar com algumas pessoas, a possibilidade de agenciarmos outras experiências.

Como é no campo do encontro que esse desejo se expande, acredito que essa é a melhor forma de apresentar a multiplicidade de jeitos de “estar junto” que essas duas mulheres podem produzir.

Depois do encontro, prometo publicar afetações e, em breve, um post inteirinho dedicado só à Marga. Em breve, no Puzzle, a seção “pessoas que vale a pena conhecer”.

Alemão que veio do Rio

No Humaitá, à sobra do Cristo, tem alguém que sabe certinho o que acontece – e está sintonizado na onda que surfo. Em tributo a este homem tão especial e importante, publique-se:

Antes do compromisso,
Há hesitação, a oportunidade de recuar,
A ineficácia permanente.
Em todo ato de iniciativa (e de criação),
Há uma verdade elementar
Cujo desconhecimento destrói muitas idéias
E planos esplêndidos:
No momento em que nos comprometemos de fato,
A Providência também age.
Ocorre toda espécie de coisas para nos ajudar,
Coisas que de outro modo nunca ocorreriam.
Toda uma cadeia de eventos emana decisão,
Fazendo vir em nosso favor todo tipo
De encontros, de incidentes
E de apoio material imprevistos
Que ninguém poderia sonhar
Que surgiria em seu caminho.
Começa, sempre, tudo o que possas fazer,
Ou que sonhas poder fazer.
A ousadia traz em si o gênio, o poder e a magia.

Goethe

Lá vem a vida

Mino carta estréia na blogosfera. Velho jornalista, novo meio. Em silêncio começa outro mês, recheado de natureza, feriados, à beira de uma votação. Além da arrebentação, espero… a onda virá, se levantará e usando os recursos disponíveis, estarei pronta ao surfe.
Alguém me disse outro dia no MSN que é pura adrenalina. Não tenho a menor noção da sensação muscular do surfe (uma velha curiosidade). O esporte das praias, resume-se a horas olhando o mar no seu ir e vir de diversas camadas. Mas há uma nova modalidade de surfe: a vida. Há ondas que sobem, períodos de simples estar, de espera sem expectativa. Sabe-se que ela virá. A onda. As ondas. A seqüência. E no simples estar, surge uma atenção, a prontidão para experimentar. Descer, deslizar, entrar no tubo, sair, sintonizar, cair.
Delicados equilíbrios feitos em chispas elétricas. E líquidas.

Águas

Encharcada de palavras. As imagens avançam, loucas, adolescentes, em busca de um caminho para virar… o quê mesmo? Momentos sensacionais que se desmancham no ar, em ondas, pulsos, roteiros, projetos. Volta a imagem da célula que desintegra, cheia demais de imagens, sonhos, vôos rasantes sobre praias lindas.
Estrelas cadentes, músicas, filmes, poemas.
Tudo conspira e sigo, encharcada. Hormônios que deviam se desfazer arrastam em outra direção. Conexões, estradas, pontos de referência. Satelite peep. Comentários pulam da tela, servem de referência a uma outra viagem. Declarações se atravessam. Sentidos invertidos, pólos opostos, místicas, crenças. Caos e criação?
Come back? Go on!