Argh

Uma gosma catarrenta tomou conta do meu corpo e da minha alma.
Minha tia foi operada, um “amigo” puxou meu tapete (e eu continuo em pé) e pra variar tô com uma preguiça mortal de fazer os balancetes do condomínio.
Queria publicar a foto da paineira que tirei com o celular, mas quem disse que eu consigo tirar as fotos da engenhoca? E ainda fico dizendo que o meu pai tem problema de Bios (bicho ignorante operando o sistema).
Tô com saudade de dar risada de verdade. Sinto que todas as minhas risadas são tristes, máscaras pra não mostrar como me sinto perdida nesse mundão – não podia ser só um pouco menor pra tornar as escolhas mais fáceis?
Argh, argh, argh.

Mitos contam começos e fins

Do mito de Erisicton, o único caso de Ceres se vingar na mitologia grega, vem a fome que tudo consome, que nada sacia. E fica a sua filha, sem nome, mulher mutante, fêmea mutável, que se salva da escravidão graças a essa capacidade.
Vem a imagem de Eco, ninfa condenada pela ciumenta Hera à última palavra. Última palavra: uma triste repetição do que o outro disse.
Enquanto ecoava a pergunta “o que faremos?” surge a imagem do velho Clint, cada vez mais pistoleiro, a matar o que ama e já não pode viver. Só pra depois sumir no mundo sem deixar vestígios. Parece o sonho de consumo dos emparedados: evanescer.

Hora de Voltar

Um filme delicado, redondo, claro. Fala de um lugar humano, dos seres humanos que somos, dos encontros. Além do texto mais que perfeito, das cenas tocantes, disparadoras de mais vida, o final é inspirador. O que faremos agora?

A morte bate à porta

Ela sempre está junto de nós, em construção.
Na sua presença, solenes,
Tocamos réquiens, cantamos mantras.
Fazemos sinais, rezamos, contamos da vida
Reunidos ao redor do caixão estão os queridos
De quem foi e de quem fica
Momento solene, cheio de mistério
Vem com luta ou abandono.
De nós, para nós, por nós
A dizer que o universo é assim
Cheio de fluxos, ires e vires
que, no final, contam e cantam uma vida

Para Jandyra e Cláudia, que cuidaram de homens queridos

Gong Show (ou que planeta é esse?)

Quando tinha meus 18 anos ia dançar num lugar chamado Rose Bom Bom. Gente bacana, moderna, cheia de projetos e esperança na vida.
Ontem, fui conhecer a nova versão do velho Rose. Instalado no topo da Galeria Ouro Fino, na Augusta, o lugar parecia legal. Ai, ai, ai. Deu medo. O som é bom, tem um terracinho apertadinho pra tanta gente, mas que garante um respiro… duro é enfrentar o povo que circula pelo piso preto-e-branco!
Pra começar, o povo bonito dos Jardins é mal educado. Quando o lugar enche vira empurra-empurra e salve-se quem puder. Tome cuidado pra não ser engolida no rolo compressor do vai-e-vem – ninguém pede licença nem dá passagem. Pra completar, aquela gente bonita está com sérios problemas: esqueceu o que é se divertir. Todos jogam pra platéia…
Os homens, então, pareciam uns pastéis – sem recheio e encharcados de óleo (argh). Não dançam, não sorriem, não têm cantadas interessantes. Conversa inteligente? Procure em outro lugar, não nos Jardins. Parece que se acham os reis da cocada preta só porque são homens. Ficam esperando a mulherada cair matando, vê se pode! Tem tanto homem nesse mundo, muitos tão especiais… Quem eles acham que são?
As moças estão lá e a maioria cumpre o seu papel. Faz o jogo dos negos, tudo em troca de um chamego – que não acontece. Encheu – o meu saco. Gong, gong, gong.